terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"A saudade maltrata, mas não mata" - Demetrina (90 anos)

Trilha Sonora: People Help The People - Birdy







Acabei de voltar de mais uma das minhas incríveis experiências. Trabalhei com crianças, adultos e idosos. Creches, escolas, APAE e asilo. Dentre todas as atividades, a do asilo me fez sentir algo diferente. 

Mais do que aprender, acabei me encontrando.

Aprendi músicas para cantar para os idosos e poder ver a felicidade no rosto de cada um. Paciência e força para ouvir suas histórias tristes e palavras certas quando soava aquela velha frase: “porque eu estou aqui?”. “Meu filho virá me buscar?”. “Eu voltarei para casa um dia.”. Alegria quando uma história engraçada do tempo de mocidade surgia e tínhamos a chance de ouvir uma gargalhada e sentir a magia daquele momento.

Questiono: como é possível alguém deixar com que aquele que te deu a vida, que cuidou de você, que fez de tudo para você ser a pessoa que é hoje, ficar preso em um asilo?

Preso, porque a porta é trancada.
Preso porque eles não possuem o livre arbítrio de ir aonde bem entenderem.

Chorei! Chorei muito. Emocionada com uma música, ou porque uma daquelas velhinhas lembrava a própria avó. Chorei por não compreender como alguém é capaz de tal atitude de descaso com quem mais o amou. Será que existe um motivo cabível para tal?

Um dia cantando, felizes, alegres e sorridentes. No outro, lágrimas para dar o último adeus a uma das vovós.
O que conforta é a certeza de que ela desencarnou com uma felicidade enorme. Agradeço por ter tido a oportunidade de vê-la sorrir novamente, antes de fechar os olhos e descansar.

Honre seu colete.
Enfrente o mundo,
Mesmo que lágrimas caiam por alguns momentos!

Se você é capaz de transformar a vida de alguém, você é capaz de transformar o mundo.

“Transformar o mundo é uma questão de compromisso”.