Muitas imagens passam pela minha cabeça. O dia em que
chupamos sorvete na área em frente à casa. Fui buscar o sorvete no posto, mas
você fez questão de pagar. Lembro que tirei muitas fotos para eternizar aquela
tarde. Uma tarde que sentimos a ausência da vó como em tantos outros momentos. Como
você estava feliz pelas orquídeas que a vó tinha plantado estarem crescendo. É
como se a vida sorrisse novamente... como se a vó estivesse ali exalando seu
perfume. Lembro de vezes que passava em frente à sua casa e estava perambulando
no jardim, quando não estava arrancando os matinhos da grama que teimavam em
crescer. Tenho sua imagem com um chapéu, uma luva e o suor de um trabalhador.
Sentirei sua falta, assim como sinto da vó. Nossa última janta. Pizza. O último
pedaço foi seu. A porção de purê de batata está ficando cada vez menor. Antes
alimentava 4 bocas, depois 3, e agora 2. Sei que está feliz ao lado da vó, mas
este será um buraco em meu coração que não será preenchido até que os
reencontre novamente. Os cacos estão espalhados pelo chão... e não sei se terei
forças para juntar mais uma vez...
terça-feira, 27 de setembro de 2016
sábado, 12 de março de 2016
Da série: Cartas para Vó Joanna.
Querida vó Joanna, um passarinho me contou que a senhora
está muito bem. Me sinto tão confortada em saber disso. Os dias tem sido
lindos, leves...
Resolvi escrever porque hoje foi um dia especial. Confesso
que tenho deixado a desejar sobre minha promessa de cuidar do vôzinho, mas hoje
senti que algo maravilhoso aconteceu. Uma sensação tão gostosa.
Depois do trabalho, fui até à casa do vô como a maioria dos
sábados. O que ocorreu de diferente dos outros sábados é que ele estava lá. E pasme
vó: hoje tinha jogo do Operário! Até o tio Sergio foi. Cheguei com pão de
queijo, o vô comeu numa ‘sentada’. Estava assistindo jogo e, como sempre, xingando
o técnico e o juiz. O vô pintou o quarto, trocou o forro, abriu a parede do
quartinho da casa dos fundos. Estava orgulhoso de si mesmo. Eu estava orgulhosa
dele. Ele está cuidando das coisas que vocês construíram com tanto carinho.
Passado um tempo, ele desiste de ver o jogo. Dou a ideia de vermos o movimento
da rua na área da casa e digo: ‘- Vô, vou comprar sorvete!’. Ele rapidamente vai até suas coisas e me
entrega R$10,00 para ir ao posto de gasolina. Fez questão de pagar, como nos
velhos tempos. Caminhando até a área, ele passa antes buscar duas almofadas no
escritório. Enquanto me desloco até o posto, observo-o sentado. Veio uma
sensação tão gostosa... uma nostalgia... Te imaginei sentada ao lado. No posto,
vejo o sorvete Magnum, aquele que a vó sempre pedia... Respiro... Volto para
casa. Sento ao lado do vô. Entre uma conversa e outra, ele solta: ‘- No centro
(espírita) veio uma vozinha no meu ouvido e disse: pare de reclamar do almoço!’.
Eu ri, pois sei que ele sente saudades da sua comida. Depois, ele completou: ‘ –
Você já sabe quem falou né?’. Estava me divertindo com aquele momento de
cumplicidade. Assim, foi se passando o tempo. Falamos das suas orquídeas no
jardim, a qual ele está cuidando muito bem. Ainda deu tempo de ganhar livros espíritas
de presente... Com o tempo, o sorvete acabou, mas a magia continua. Assim como
a saudade de você. Te amo.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Penso em você até nas mais simples das tarefas. Fui lavar a louça e acabei quebrando o potinho de sobremesa. Logo pensei: 'A vó vai me matar!'. Por alguns segundos senti como se você estivesse ali comigo e eu somente aguardando o xingo pelo barulho que fez. A realidade veio a tona, assim como o silêncio...
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