terça-feira, 27 de setembro de 2016

Muitas imagens passam pela minha cabeça. O dia em que chupamos sorvete na área em frente à casa. Fui buscar o sorvete no posto, mas você fez questão de pagar. Lembro que tirei muitas fotos para eternizar aquela tarde. Uma tarde que sentimos a ausência da vó como em tantos outros momentos. Como você estava feliz pelas orquídeas que a vó tinha plantado estarem crescendo. É como se a vida sorrisse novamente... como se a vó estivesse ali exalando seu perfume. Lembro de vezes que passava em frente à sua casa e estava perambulando no jardim, quando não estava arrancando os matinhos da grama que teimavam em crescer. Tenho sua imagem com um chapéu, uma luva e o suor de um trabalhador. Sentirei sua falta, assim como sinto da vó. Nossa última janta. Pizza. O último pedaço foi seu. A porção de purê de batata está ficando cada vez menor. Antes alimentava 4 bocas, depois 3, e agora 2. Sei que está feliz ao lado da vó, mas este será um buraco em meu coração que não será preenchido até que os reencontre novamente. Os cacos estão espalhados pelo chão... e não sei se terei forças para juntar mais uma vez...

sábado, 12 de março de 2016

Da série: Cartas para Vó Joanna.

Querida vó Joanna, um passarinho me contou que a senhora está muito bem. Me sinto tão confortada em saber disso. Os dias tem sido lindos, leves...
Resolvi escrever porque hoje foi um dia especial. Confesso que tenho deixado a desejar sobre minha promessa de cuidar do vôzinho, mas hoje senti que algo maravilhoso aconteceu. Uma sensação tão gostosa. 
Depois do trabalho, fui até à casa do vô como a maioria dos sábados. O que ocorreu de diferente dos outros sábados é que ele estava lá. E pasme vó: hoje tinha jogo do Operário! Até o tio Sergio foi. Cheguei com pão de queijo, o vô comeu numa ‘sentada’. Estava assistindo jogo e, como sempre, xingando o técnico e o juiz. O vô pintou o quarto, trocou o forro, abriu a parede do quartinho da casa dos fundos. Estava orgulhoso de si mesmo. Eu estava orgulhosa dele. Ele está cuidando das coisas que vocês construíram com tanto carinho. Passado um tempo, ele desiste de ver o jogo. Dou a ideia de vermos o movimento da rua na área da casa e digo: ‘- Vô, vou comprar sorvete!’.  Ele rapidamente vai até suas coisas e me entrega R$10,00 para ir ao posto de gasolina. Fez questão de pagar, como nos velhos tempos. Caminhando até a área, ele passa antes buscar duas almofadas no escritório. Enquanto me desloco até o posto, observo-o sentado. Veio uma sensação tão gostosa... uma nostalgia... Te imaginei sentada ao lado. No posto, vejo o sorvete Magnum, aquele que a vó sempre pedia... Respiro... Volto para casa. Sento ao lado do vô. Entre uma conversa e outra, ele solta: ‘- No centro (espírita) veio uma vozinha no meu ouvido e disse: pare de reclamar do almoço!’. Eu ri, pois sei que ele sente saudades da sua comida. Depois, ele completou: ‘ – Você já sabe quem falou né?’. Estava me divertindo com aquele momento de cumplicidade. Assim, foi se passando o tempo. Falamos das suas orquídeas no jardim, a qual ele está cuidando muito bem. Ainda deu tempo de ganhar livros espíritas de presente... Com o tempo, o sorvete acabou, mas a magia continua. Assim como a saudade de você. Te amo. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Penso em você até nas mais simples das tarefas. Fui lavar a louça e acabei quebrando o potinho de sobremesa. Logo pensei: 'A vó vai me matar!'. Por alguns segundos senti como se você estivesse ali comigo e eu somente aguardando o xingo pelo barulho que fez. A realidade veio a tona, assim como o silêncio...

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