quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Da série: cartas para vó Joanna


Querida vó Joanna.

Conversei estes dias com a Vânia e ela me indicou um livro que contava a história de uma mãe que tinha perdido seu filho. Então, esta mãe, para tentar amansar a saudade e superar a falta que ele fazia, escrevia-lhe cartas. Estas cartas eram guardadas na gaveta e foram respondidas por ele em uma determinada situação em um centro espírita. O nome do livro é 'Gaveta da Esperança'. 

Vó, não espero que você responda as minhas 'cartas'  - embora reconheça que seria maravilhoso, mas escrever sobre estes acontecimentos já torna a vida um pouco mais suportável. 

Bem, quero começar contando que estou ouvindo 'Don't cry for me, Argentina' e lembrei daquele dia que estávamos no quarto, e o Victor colocou ela para tocar. Sei que é uma das suas músicas preferidas, e torço para que o som dela esteja chegando até onde você está.

No último final de semana, fomos para Aparecida do Norte. Você me deu de presente a passagem por ter te cuidado em janeiro. Sei o quanto você queria estar presente nesta viagem que já virou tradição na família. Confesso que foi estranho não ter você presente fisicamente. Você sempre dizia que sonhava em morar nesta cidade porque sempre estava ensolarado, e nos dias quentes o seu reumatismo não doía. Você esteve lá dia 11 de setembro deste ano pagando uma promessa feita pela sua recuperação. Eita 2015! Mas fico tão feliz por você ter aproveitado mais esta viagem, no lugar que você mais gostava de ir e ficava contando os dias.

Você sabe que tinha uma promessa minha a ser paga também, mas cumpri esta promessa de uma maneira diferente. Mentalizei entregando uma rosa branca para Nossa Senhora Aparecida e outra para você. Espero que tenha recebido. O que farei daqui em diante, será entregar uma rosa branca à alguma vozinha que encontrar pela rua. E não será uma rosa qualquer, será uma rosa específica, para uma vózinha específica. Basta encontrá-la. 

O João lembrou quando tínhamos que te empurrar pra subir a rampinha de acesso à igreja... o que era muito engraçado. Rimos juntos lembrando deste fato. Lembramos também de quando íamos na feirinha comprar presentes para aqueles que não puderam estar viajando, ou mesmo, o presente do amigo secreto. Você sempre tinha dúvidas de qual presente levar e sempre pedia nossa opinião. E pasme vó, aqueles vendedores que imitam um gato ainda existem! 

Quando fomos à missa, confesso que o choro veio à tona. Lembrar de tantas vezes que víamos juntas as missas pela televisão foi algo saudoso. Olho pro lado e vejo que o João também está chorando. O vô Jango nota nosso momento e nos abraça. Ficamos os três por um bom tempo assim. O tio Sergio estava do lado, mas você sabe o quanto ele é meio antisocial, né? (rs)

Terminando a missa, eles saem na frente e eu logo atrás. Estávamos voltando ao hotel quando percebo uma mulher chorando com uma toalha no rosto virada para a parede. Peço para o João esperar, vou até a mulher, toco-a. Ela olha para mim, chora e me abraça. Pergunto o que está acontecendo, ela conta que seu marido acabara de falecer. Eles também faziam anualmente a viagem para Aparecida. Seu nome: Maria Aparecida. Aos prantos ela fala: 'na hora da missa, veio uma abelha e pousou em mim. Tenho certeza que era ele se despedindo'. Achei estas palavras tão lindas e tão profundas. Contei sobre nossa história. Sobre sua história. Nos abraçamos. Entre as dores de cada uma, conseguimos nos confortar. As coincidências eram muitas...

Não sei como terminar esta carta. Na verdade ela não terá fim, pois escreverei mais e mais pensando em você. Só queria que você soubesse que estamos bem e tentando dar continuidade à vida... Sei que não foi por acaso que cheguei até aquela mulher, uma voz sussurrava: 'vá até ela'. Eu fui, e assim esta viagem ficou mais leve...




quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Não crie expectativas, crie sentimentos...


Leia ouvindo Tiago Iorc


Acendi um incenso.
Assim, me inspirei...

Não encontro lugar para estacionar,
não consigo fazer o retorno,
vou caminhando até você.
Coração acelera, as pernas estremecem.
Entro pela porta. 
Onde você está?
Porta errada.
Saio e finalmente te encontro, e
meus olhos encontram os seus.
MATCH!
Caminho ao seu lado até o carro,
eu no asfalto e você na calçada.
Direita ou esquerda?

Brooklyn, 2015.
‘Então, me fala mais sobre seu projeto?’
Não há algo no papel, mas há algo no coração.
‘Então me fala sobre suas expectativas!’
Não há expectativas, há vontades e sentimentos.
Aqueles que você não pode controlar.
Ninguém consegue domar um coração, não é mesmo?

E entre histórias, sorrisos e olhares,
uma garfada de brownie sela o momento.
Um beijo por tabela.
Você, segurou minha mão.
Eu, segurei o mundo.
Não houve o choque, mas houve algo melhor: 
Duas almas se reconheceram.

Mais histórias, mais sorrisos e mais olhares.
Você faz um tsuru.
Eu faço um pedido.
Você faz um coração.
E eu abro o meu.
Você faz uma estrela,
E eu dou um nome.

Direita ou esquerda?
Mil coisas passam pela minha cabeça.
Vejo com minha visão periférica você me olhando.
Seguro sua mão,
trocamos a marcha.
Paramos no semáforo,
trocamos olhares.

Então, aconteceu aquilo que não era para acontecer.
Avançamos o sinal,
do semáforo e o nosso.
Paramos o carro.
E dali em diante, somente nós saberemos.
Um momento único
desfrutado tão gloriosamente.
A timidez ficou para trás,
assim como a resistência.

Isso não é um poema, 
mas é uma maneira de falar,
"Não vou voltar tão cedo, 
mas vou voltar..."

...

E o incenso terminou...

...


domingo, 29 de novembro de 2015

My little blackbird

Ponta Grossa, 29 de novembro de 2015.

My little blackbird,

Hoje faz um mês que nos ‘trombamos’ virtualmente. Estou ouvindo Fat Freddy's Drop porque lembra você, embora 'Little Talks' seja nossa música. Quem diria! Conseguimos completar um mês. E você, mais do que ninguém, sabe o quanto esse mês significou para mim. Você chegou de mansinho, foi criando terreno nesse coração que parece gelado, mas é cheio de amor. A ligação foi estabelecida, ou melhor, ela foi ativada. Bastou lançar a pergunta: ‘o que seria sopinha de bolacha?’. Gostaria então de escrever sobre algumas coisas que aconteceram neste mês que se passou e como me senti.

Até hoje, você foi a pessoa que mais se aproximou no que pode se perguntar: quem é Addie? Você teve uma resposta: ‘que além de eu ser linda em qualquer país - inclusive na Índia com tatuagem de henna (obrigada, obrigada, obrigada), eu sou bem família e que gosto de registrar os acontecimentos da vida, sejam eles bons ou ruins. Que escrevo bem e que poderia até escrever aqueles livros-diários, que você leria facinho. Que prefere viajar e ter sempre essa possibilidade, ao invés de ter estabilidade num emprego comum. Que sou ativista naquilo que acredito, ao contrário de quem quer os direitos e não faz nada a respeito’. Mas, entre todas estas palavras, teve estas últimas que me fez perceber que você foi mais longe do que alguém já tinha se aventurado em decifrar: 'quem é Addie?'. Você me sentiu! Sentir é a palavra correta. Você sentiu que eu gosto de viver entre os contrastes da vida, entre abundância e escassez. Que valorizo o que tenho e o que vivo, mas que também gosto de estar perto dos lugares onde a ausência das coisas me faz sentir útil, feliz, capaz e, que de certa forma, me ajuda a crescer e se aproximar da pessoa que quero me tornar.

Lendo nossas conversas, chego à mensagem que você diz que foi à missa e que rezou por mim e pela avó Joanna. Lembro-me da reação que tive ao ler isso. Achei umas das coisas mais lindas que você poderia ter feito para mim, sem ao menos me conhecer. Orar por alguém é um dos atos mais puros que existem porque ele vem direto do coração. E saudade é o amor que fica, certo?

Neste um mês, descobri que números fazem sentido para nós. O 42 e o 8 possuem um significado individual para cada uma... Penso agora que nosso número poderia ser 50, que é a soma dos dois, ou poderia ser ainda o número 98, que é a distância que estamos uma da outra, embora muitas coincidências nos aproximem. O desapego de certas coisas, e o apego, quase que impossível de se desfazer, em outras coisas. Me vejo muito em você, em seu amor pela sua família mesmo que boa parte dela esteja a quilômetros. Vejo em você, o que vejo em mim. A vontade de fazer o bem e acreditar que um mundo melhor é possível. Que por um instante podemos ter feito algo de bom para alguma pessoa e que isto possa ter melhorado o dia dela. 

Segundo você, eu escrevo melhor quando sofro de amor. Felizmente eu não estou sofrendo por ele, mas posso escrever melhor ainda quando sinto gratidão. E é esse um dos sentimentos que sinto por você. Gratidão, carinho, empatia, amizade e... amor. Sim, eu amo você. Dentre tantas coisas, você me ensinou a sentir um amor diferente do convencional, do tradicional que jamais eu havia sentido. Você me ensinou a sentir um amor desapegado, leve e livre, um amor evoluído.

Paraíso astral, não sei se ainda conversamos ou se já nos enjoamos uma da outra, mas quero repetir mais uma vez que tudo o que aconteceu neste primeiro mês, me fez sentir viva novamente, embora nem tenhamos nos tocado. Espero ansiosa pela panqueca de nutella e banana, mas acima de tudo, ter o prazer de poder sentir novamente o gosto do sorvete de morango.

Feliz aniversário, Blackbird.

Com amor e carinho, Oddie.



...

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Se você tivesse direito à um desejo, o que você pediria?

Eu pediria a chance de ouvir sua voz novamente, porque ouvir ela gravada em uma das minhas muitas ligações não é a mesma coisa. Eu pediria a oportunidade de sentar com você na beira da cama, olhando o movimento pela janela escutando rádio. Eu pediria que você sentasse em cima da almofada na área em frente à casa e, com certeza eu pediria que você aceitasse o sorvete que acabaria de comprar no posto de gasolina. Eu pediria para andar com você pelo jardim olhando as flores. Eu pediria que eu pudesse enganchar em um de seus braços para caminhar ao seu lado. Eu pediria para poder pintar seu cabelo. Eu pediria que fizesse aquele empadão, a torta de maçã, o sorvete de morango/coco, a nega maluca, a toalha felpuda, a geleia de jabuticaba. Eu pediria para te levar passear mais vezes. Eu pediria que pudesse viajar para Aparecida do Norte com você e com o vô mais uma vez. Eu pediria mais um almoço com você sentada na ponta, o vô no meio e eu logo em seguida como sempre foi... Eu pediria mais um sorriso seu. Eu pediria mais um abraço. Mas, acima de tudo isso, eu pedia que você estivesse bem onde quer que estivesse.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Foi estranho entrar em sua casa e não te encontrar sentada assistindo novena ou te encontrar mexendo nas panelas ouvindo rádio... Este era nosso ritual diário, lembra? Eu chegava e perguntava qual seria o cardápio do dia e você logo soltava: 'pelo amor de Deus, não aguento mais purê!'. Para não perder o costume, fiz purê simplesmente porque ele lembra você. O vô elogiou e falou que a carne estava no ponto como ele gosta, um pouco queimado na parede da panela. Você melhor do que ninguém sabe que cozinhar não é meu forte, mas foi o ato de cozinhar que nos aproximou. Quero um dia te encontrar e perguntar: 'vó, quanto de sal eu coloco?'. Como dizem, cozinhar é um ato de amor... e, então, eu te amo. 


sábado, 17 de outubro de 2015

Obrigada, vó Joanna

Todas as palavras que posso utilizar para expressar minha gratidão pela vó Joanna são insuficientes... Neste instante, quero apenas compartilhar momentos... quero escrever algumas lembranças que tenho, que guardarei com todo amor em meu coração e que, de certo modo, está me confortando. Minha vó foi meu exemplo de mulher: guerreira, batalhadora, forte. Lutou pela vida bravamente ano após ano. Uma mulher que estendia a mão a todos e que possuía uma fé inabalável... Se alguém fosse pedir um prato de comida, ela fazia questão de colocar suco/refrigerante (e muitas vezes sobremesa) de acompanhamento. Ela não media esforços para satisfazer nossas vontades... ‘Vó, quero empadão... Vó, queria tanto uma lasanha... Vó, tem bolacha maisena pra fazer sopinha?’. Nossa vozinha escolheu o dia dos professores e o aniversário de sua irmã mais velha, já falecida, para seguir viagem. Quem sabe ela e a irmã, vó Tereza, estão comemorando com uma deliciosa nega maluca que a vó Joanna adorava fazer. Aliás, sentirei saudades daquela torta de maçã e daquele sorvete de coco e de morango que somente ela acertava o ponto. Tenho a certeza que ela estará todos os dias em meus pensamentos, mas haverá um dia em que encontrarei alguma vózinha desconhecida que estará usando o spray de cabelo ‘Karina’, o cheiro de referencia da vó Joanna, e a sua lembrança virá à tona sobre mim. Vó Joanna gostava de ficar na janela do quarto, olhando o movimento da Balduíno Taques, ouvindo o programa do Chocolate na rádio Difusora. Muitas vezes eu apontava no portão ou esperava na praça carona para ir à escola e lá estava ela de olho... Quando ela não estava na janela, estava na área em frente a casa chupando sorvete comprado no posto de gasolina. A vó era chegada numa pepsi e numa coca cola, não aguentava mais o meu purê de batata, nosso prato de todas as sextas. Queria que eu gostasse de beterraba e almondega afirmando que é igual carne moída. Eu tinha o costume de ligar duas vezes todo santo dia e, no que atendia e ouvia minha voz, soltava: ‘Mas é a xarope/ purgante de volta? Jogava que era você!’... mas quando demorava a ligar, ela retornava e dizia: ‘ué... o que aconteceu que não apareceu hoje?’. Vozinha gostava de assistir Carrossel, Raul Gil, Silvio Santos, mas são os programas da Hebe Camargo que tenho em minha memória com mais afinco... Sem contar também que a vó é sósia da atriz Laura Cardoso. Fazia a novena das mãos ensanguentadas todas as manhãs. Parece que foi ontem quando íamos uma vez por mês para o chá do centro espírita, onde jogávamos bingo. Eu nunca ganhava e, se ela ganhasse, ela me dava o brinde. Vózinha tinha uma camiseta branca com coraçõezinhos vermelhos que eu adorava, usava um relógio que sempre estava voltado para o lado de dentro do punho. Gostava de orquídea. Ela não suportava que fizessem cócegas nos pés, mas adorava quando coçavam suas costas, sempre soltava ‘ai, que bom!’... Dormia abraçada com o vô Jango e sempre era a última a se deitar. Aliás, estes dois são meus exemplos de amor. João e Joanna, combinam até no nome. Ele faz aniversário dia 18 e ela 19 de junho... coincidências... Em janeiro, a vó Joanna teve um AVC que afetou o lado direito de seu corpo. Assim, passei a conviver diariamente com ambos e aprendi na prática que o amor é construído dia após dia. Este vídeo contém cenas dessa construção... Ela não gostava muito de fotos, por isso, estas cenas foram feitas por mim escondidas a partir do episódio de janeiro, embora tenha ficado triste por um momento por constatar que não tenho foto com a vó, mas me sinto feliz por poder registrar esta alegria e felicidade. Ela sempre dizia que, no dia de seu velório, queria que tocasse samba. Seu pedido foi atendido com louvor... Também esta é a trilha sonora do vídeo. Que possamos lembrar a vó Joanna com um sorriso no rosto pelo amor incondicional que possuía por cada um. Vó Joanna, eu te amo e sempre amarei. Gratidão eterna. A saudade é o amor que fica... Descanse em paz.



domingo, 4 de outubro de 2015

Vó Joanna,


Meu amor, minha vida, minha mãe, meu bebê, meu mundo... Escrevo isso para tentar me acalmar e agradecer por tudo o que fizestes por mim. Se eu sou a pessoa que sou hoje, foi graças a você. A vovó que me criou e cuidou. Que me cobria nas madrugadas frias e que deixava a mamadeira com Nescau quente para o Victor. Isso aponta que não foi somente minha mãe, mas de nove netos. A vovó que nos levava suco no clubinho CAPS e que pagava a mensalidade com assiduidade. A vovó que me ensinou a amar o mundo e a fazer o bem sem esperar nada em troca. A vovó que tentou me ensinar a fazer um balão com dobradura, mas sem sucesso porque eu simplesmente não levo jeito. Aquela que me ensinou a gostar de Raul Gil, Silvio Santos e Hebe Camargo. A que me faz ter na memória as manhãs com a voz do Rogério Serman e a oração do ‘Pai Nosso’ do Papa João Paulo II. A vovó que sempre me incentivou a estudar, e que sempre era a primeira a chegar às minhas apresentações de teatro e me aplaudia em pé. A vovó que eu deitava no colo quando íamos às palestras espíritas. A vovó que me fazia jantar antes de irmos visitar algum parente para não comer na casa da visita e, se a visita oferecesse doce, era autorizada a pegar somente dois. A vovó que faz o melhor empadão do mundo e que me levava no mercado e na feira todo sábado. Aquela que junto com o vô Jango, consegue unir a família aos domingos. Aquela que todos meus amigos conhecem e que admiram pela força que tem. Aliás, és uma mulher guerreira e sabes disso. Agradeço por confiar em mim, por me deixar cuidar de você principalmente nestes últimos anos... Eu tive a oportunidade de te conhecer a cada dia e te amar cada vez mais. Sua fé é inabalável, sua força para lutar pela sua vida não me deixa desistir. Dizem que em algum momento da vida, todo filho é pai de seu pai, então, toda neta é avó da sua avó. E eu sei que eu sou uma vovó chata que te acorda para dar os remédios, a vovó que leva a colher de comida na boca se assim precisar, a vovó que, se tivesse forças, te pegaria nos braços para te acalmar, embora isso não me impeça de segurar e sentir o mais precioso de tudo, o seu amor por mim. Força vó Joanna, estamos em oração. Te amo.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Ninguém entende... ninguém consegue imaginar a dor. Dizem que Deus não dá fardo maior do que podemos carregar. Só queria dizer, Deus, que meus ombros doem... Doem muito! Eu não aguento mais... Talvez eu tenha perdido minha fé pelo meio do caminho... Talvez, não! Eu tenho certeza...

"I'm only a man in a silly red sheet"


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Mas, nunca estamos preparados para a morte...

"Move on, be brave
Don't weep at my grave
Because I am no longer here
But please never let
Your memory of me disappear"




quinta-feira, 30 de abril de 2015

Dia 29 de abril de 2015, o MASSACRE!

Dia 29 de abril foi marcado com sangue, lágrimas, desrespeito e medo. Na primeira linha de combate, agentes penitenciários. Logo atrás, estávamos nós - professores, acadêmicos, funcionários. A primeira bomba é lançada aos nossos pés. Um estouro de perder os sentidos. Restava-nos correr! Eram bombas atrás de bombas, tiros atrás de tiros, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, jatos d'água. Como se não bastasse, bombas eram lançadas do helicóptero que sobrevoava a ALEP. A cavalaria, cães e a tropa de choque completavam o massacre no qual o covarde Beto Richa assistia de camarote. Um cenário de guerra que nunca imaginaria presenciar. 213 feridos em duas horas de confronto. O presidente da casa Ademar Traiano (PSDB) diz: "LÁ FORA, O PROBLEMA É DA SEGURANÇA PÚBLICA, NÃO DA ASSEMBLÉIA". O projeto é aprovado com 31 votos a favor. Após a aprovação, policiais se retiram ao som de aplausos de quem permaneceu no Centro Cívico. Cheguei em casa e o silêncio tomou conta. Há algumas horas, ouvindo bombas, gritos, protesto, junto com alarmes de carros disparados. Choro de desespero na cama em meio ao silêncio. Acordava de madrugada assustada com cenas do combate. Este dia ficará marcado no corpo e na alma de quem lá esteve.
 

"Em um concurso de cérebros, talvez o pitbull vença comparado ao do governador do Estado" - Comentário de Ricardo Boechat, Jornal da Band. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

2015, já pode acabar...

Quando pensava que 2013 tinha sido um ano difícil, sequer cogitava o que janeiro de 2015 guardava. Sempre temos esperanças que os anos vão passando e melhorando. Mas não. Isso não aconteceu até então nos primeiros 21 dias de 2015.
Sábado, 03 de janeiro, o telefone toca. No caminho até o gancho do telefone, penso que só poderia ser a vó Joanna ligando antes das 08:00 num final de semana. Antes fosse.
Na outra linha meu tio avisa que minha avó está passando mal e que o samu foi chamado.
Chegamos antes da ambulância. Vejo minha avó deitada na cama com a dentadura sendo expelida para fora. A boca estava torta. Os olhos se viravam. Sua mão esquerda toca sua garganta numa tentativa de fazer com que a voz saísse. Eu grito "Vó, Fique comigo!".
O samu chega e a imagem - antes somente em meus pensamentos - da ambulância em frente a casa torna-se realidade. A imagem de uma ambulância sempre me atormentava.
Os socorristas avaliam a situação. Minha avó estava tendo um AVC.
Corremos para o hospital e tivemos a confirmação. O AVC afetou o lado direito do corpo.
Minha avó ficou internada três dias e recebeu alta. Os movimentos estão voltando aos poucos.
Sua recuperação, para uma idosa de 80 anos, surpreende até mesmo o médico neurologista.
Vivendo um dia de cada vez.
A esperança de que tudo volte melhor do que era, nos dá coragem.
Que tenhamos força e fé.
Que ela volte a ligar antes das 08:00 num sábado e diga: "Não acredito que ainda está dormindo!"...