sábado, 17 de outubro de 2015

Obrigada, vó Joanna

Todas as palavras que posso utilizar para expressar minha gratidão pela vó Joanna são insuficientes... Neste instante, quero apenas compartilhar momentos... quero escrever algumas lembranças que tenho, que guardarei com todo amor em meu coração e que, de certo modo, está me confortando. Minha vó foi meu exemplo de mulher: guerreira, batalhadora, forte. Lutou pela vida bravamente ano após ano. Uma mulher que estendia a mão a todos e que possuía uma fé inabalável... Se alguém fosse pedir um prato de comida, ela fazia questão de colocar suco/refrigerante (e muitas vezes sobremesa) de acompanhamento. Ela não media esforços para satisfazer nossas vontades... ‘Vó, quero empadão... Vó, queria tanto uma lasanha... Vó, tem bolacha maisena pra fazer sopinha?’. Nossa vozinha escolheu o dia dos professores e o aniversário de sua irmã mais velha, já falecida, para seguir viagem. Quem sabe ela e a irmã, vó Tereza, estão comemorando com uma deliciosa nega maluca que a vó Joanna adorava fazer. Aliás, sentirei saudades daquela torta de maçã e daquele sorvete de coco e de morango que somente ela acertava o ponto. Tenho a certeza que ela estará todos os dias em meus pensamentos, mas haverá um dia em que encontrarei alguma vózinha desconhecida que estará usando o spray de cabelo ‘Karina’, o cheiro de referencia da vó Joanna, e a sua lembrança virá à tona sobre mim. Vó Joanna gostava de ficar na janela do quarto, olhando o movimento da Balduíno Taques, ouvindo o programa do Chocolate na rádio Difusora. Muitas vezes eu apontava no portão ou esperava na praça carona para ir à escola e lá estava ela de olho... Quando ela não estava na janela, estava na área em frente a casa chupando sorvete comprado no posto de gasolina. A vó era chegada numa pepsi e numa coca cola, não aguentava mais o meu purê de batata, nosso prato de todas as sextas. Queria que eu gostasse de beterraba e almondega afirmando que é igual carne moída. Eu tinha o costume de ligar duas vezes todo santo dia e, no que atendia e ouvia minha voz, soltava: ‘Mas é a xarope/ purgante de volta? Jogava que era você!’... mas quando demorava a ligar, ela retornava e dizia: ‘ué... o que aconteceu que não apareceu hoje?’. Vozinha gostava de assistir Carrossel, Raul Gil, Silvio Santos, mas são os programas da Hebe Camargo que tenho em minha memória com mais afinco... Sem contar também que a vó é sósia da atriz Laura Cardoso. Fazia a novena das mãos ensanguentadas todas as manhãs. Parece que foi ontem quando íamos uma vez por mês para o chá do centro espírita, onde jogávamos bingo. Eu nunca ganhava e, se ela ganhasse, ela me dava o brinde. Vózinha tinha uma camiseta branca com coraçõezinhos vermelhos que eu adorava, usava um relógio que sempre estava voltado para o lado de dentro do punho. Gostava de orquídea. Ela não suportava que fizessem cócegas nos pés, mas adorava quando coçavam suas costas, sempre soltava ‘ai, que bom!’... Dormia abraçada com o vô Jango e sempre era a última a se deitar. Aliás, estes dois são meus exemplos de amor. João e Joanna, combinam até no nome. Ele faz aniversário dia 18 e ela 19 de junho... coincidências... Em janeiro, a vó Joanna teve um AVC que afetou o lado direito de seu corpo. Assim, passei a conviver diariamente com ambos e aprendi na prática que o amor é construído dia após dia. Este vídeo contém cenas dessa construção... Ela não gostava muito de fotos, por isso, estas cenas foram feitas por mim escondidas a partir do episódio de janeiro, embora tenha ficado triste por um momento por constatar que não tenho foto com a vó, mas me sinto feliz por poder registrar esta alegria e felicidade. Ela sempre dizia que, no dia de seu velório, queria que tocasse samba. Seu pedido foi atendido com louvor... Também esta é a trilha sonora do vídeo. Que possamos lembrar a vó Joanna com um sorriso no rosto pelo amor incondicional que possuía por cada um. Vó Joanna, eu te amo e sempre amarei. Gratidão eterna. A saudade é o amor que fica... Descanse em paz.



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