domingo, 29 de novembro de 2015

My little blackbird

Ponta Grossa, 29 de novembro de 2015.

My little blackbird,

Hoje faz um mês que nos ‘trombamos’ virtualmente. Estou ouvindo Fat Freddy's Drop porque lembra você, embora 'Little Talks' seja nossa música. Quem diria! Conseguimos completar um mês. E você, mais do que ninguém, sabe o quanto esse mês significou para mim. Você chegou de mansinho, foi criando terreno nesse coração que parece gelado, mas é cheio de amor. A ligação foi estabelecida, ou melhor, ela foi ativada. Bastou lançar a pergunta: ‘o que seria sopinha de bolacha?’. Gostaria então de escrever sobre algumas coisas que aconteceram neste mês que se passou e como me senti.

Até hoje, você foi a pessoa que mais se aproximou no que pode se perguntar: quem é Addie? Você teve uma resposta: ‘que além de eu ser linda em qualquer país - inclusive na Índia com tatuagem de henna (obrigada, obrigada, obrigada), eu sou bem família e que gosto de registrar os acontecimentos da vida, sejam eles bons ou ruins. Que escrevo bem e que poderia até escrever aqueles livros-diários, que você leria facinho. Que prefere viajar e ter sempre essa possibilidade, ao invés de ter estabilidade num emprego comum. Que sou ativista naquilo que acredito, ao contrário de quem quer os direitos e não faz nada a respeito’. Mas, entre todas estas palavras, teve estas últimas que me fez perceber que você foi mais longe do que alguém já tinha se aventurado em decifrar: 'quem é Addie?'. Você me sentiu! Sentir é a palavra correta. Você sentiu que eu gosto de viver entre os contrastes da vida, entre abundância e escassez. Que valorizo o que tenho e o que vivo, mas que também gosto de estar perto dos lugares onde a ausência das coisas me faz sentir útil, feliz, capaz e, que de certa forma, me ajuda a crescer e se aproximar da pessoa que quero me tornar.

Lendo nossas conversas, chego à mensagem que você diz que foi à missa e que rezou por mim e pela avó Joanna. Lembro-me da reação que tive ao ler isso. Achei umas das coisas mais lindas que você poderia ter feito para mim, sem ao menos me conhecer. Orar por alguém é um dos atos mais puros que existem porque ele vem direto do coração. E saudade é o amor que fica, certo?

Neste um mês, descobri que números fazem sentido para nós. O 42 e o 8 possuem um significado individual para cada uma... Penso agora que nosso número poderia ser 50, que é a soma dos dois, ou poderia ser ainda o número 98, que é a distância que estamos uma da outra, embora muitas coincidências nos aproximem. O desapego de certas coisas, e o apego, quase que impossível de se desfazer, em outras coisas. Me vejo muito em você, em seu amor pela sua família mesmo que boa parte dela esteja a quilômetros. Vejo em você, o que vejo em mim. A vontade de fazer o bem e acreditar que um mundo melhor é possível. Que por um instante podemos ter feito algo de bom para alguma pessoa e que isto possa ter melhorado o dia dela. 

Segundo você, eu escrevo melhor quando sofro de amor. Felizmente eu não estou sofrendo por ele, mas posso escrever melhor ainda quando sinto gratidão. E é esse um dos sentimentos que sinto por você. Gratidão, carinho, empatia, amizade e... amor. Sim, eu amo você. Dentre tantas coisas, você me ensinou a sentir um amor diferente do convencional, do tradicional que jamais eu havia sentido. Você me ensinou a sentir um amor desapegado, leve e livre, um amor evoluído.

Paraíso astral, não sei se ainda conversamos ou se já nos enjoamos uma da outra, mas quero repetir mais uma vez que tudo o que aconteceu neste primeiro mês, me fez sentir viva novamente, embora nem tenhamos nos tocado. Espero ansiosa pela panqueca de nutella e banana, mas acima de tudo, ter o prazer de poder sentir novamente o gosto do sorvete de morango.

Feliz aniversário, Blackbird.

Com amor e carinho, Oddie.



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