Estranhas. Assim seremos uma para a outra daqui a alguns anos. Nossas manias, gostos, prazeres serão outros. Os
círculos de amigos, colegas e até inimigos serão outros. Esqueceremos da feição do
rosto, das curvas do corpo, do cheiro do cabelo. Não tomaremos mais cafés da
manhã na cama. Não dormiremos mais de conchinha. Não olharei mais seu sorriso
ao acordar. Algum tempo depois, nem lembraremos mais da preguiça que tínhamos
de levantar da cama tão quentinha. Não
comeremos mais queijo, nem ficaremos mais na indecisão de qual vinho comprar no
posto de combustível. Não deitarei mais em seu ombro para assistir filme. Não perguntaremos
se tem chicletes ou algo doce no carro. Muito menos estaremos dirigindo para
mais um QMG. Não teremos que olhar para o mesmo por do sol a partir do mesmo
ponto de vista, nem ouvir andorinhas cantarolando por mais um fim de tarde. Não
precisaremos juntar as roupas que a cadela carregou e babou enquanto estávamos
no sofá. Não precisará mais separar uma toalha para me enxugar depois do banho. Não tirarei mais seu cachecol. Não comeremos mais comida mexicana tão apimentada,
muito menos a japonesa. Não escutarei você me elogiando que lavei a roupa e o
almoço não estará pronto. Não terei que esperar ansiosa uma visita de quarta
feira com ‘bate e volta’, muito menos te fazer esperar por minha pontualidade
falha. Aliás, as quartas serão um pouco mais difíceis de serem esquecidas pelo
fato de você me acordar nas suas manhãs. Não faremos mais planos de viagens -
você cuidando dos animais e eu das crianças. No fim, nunca entenderemos o que aconteceu.
Nunca saberemos quem desistiu. A luz se apagou. Com medo de perder, acabamos nos perdendo juntas.
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